terça-feira, 30 de agosto de 2011

Orações Subordinadas Adjetivas - Aspectos semânticos: orações restritivas e explicativas

Na relação que estabelecem com o termo que caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de duas maneiras diversas. Há aquelas que restringem o sentido do termo antecedente, individualizando-o  - são as chamadas subordinadas adjetivas restritivas - e aquelas que realçam um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, que já se encontra suficientemente definido - são as subordinadas adjetivas explicativas. Observe:

Jamais teria chegado aqui, não fosse a gentileza de um homem que passava naquele momento.

O homem, que se considera racional, muitas vezes age animalescamente.

No primeiro período, a oração "que passava naquele momento" restringe e particulariza o sentido da palavra homem: trata-se de um homem específico, único, que se caracteriza, no caso, por estar passando por um determinado lugar num determinado momento. A oração, na verdade, limita o universo de homens, isto é,
não se refere a todos os homens. E, portanto, uma oração subordinada adjetiva restritiva. 

No segundo período, a oração "que se considera racional" não tem  sentido restritivo em relação à palavra homem: na verdade, essa oração apenas explicita uma ideia que já sabemos estar contida no conceito de homem. A oração não faz referência a um determinado homem, e sim ao conjunto de homens, a todos os homens, a qualquer homem. Trata-se, portanto, de uma oração subordinada adjetiva explicativa.

Se você ler atentamente em voz alta os dois períodos acima, vai perceber que a oração subordinada adjetiva explicativa é separada da oração principal por uma pausa, que, na escrita, é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontuação seja indicada como forma de diferenciar as orações explicativas das
restritivas: de fato, as explicativas vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não. Essa diferença é facilmente perceptível quando se está diante de um período escrito por outrem; no entanto, quando é preciso redigi-lo, é necessário levar em conta as diferenças de significado que as orações restritivas e as explicativas implicam (afinal, é quem está escrevendo que vai ter de colocar as vírgulas nesse caso!). Em muitos casos, a oração subordinada adjetiva será explicativa ou restritiva de acordo com o que se pretende dizer. Observe:

Mandei um telegrama para meu irmão que mora em Roma.
Mandei um telegrama para meu irmão, que mora em Roma.

No primeiro período, é possível afirmar com segurança que a pessoa que fala ou escreve tem, no mínimo, dois irmãos, um que mora em Roma e um que mora em outro lugar. A palavra irmão, no caso, precisa ter seu sentido limitado, ou seja, é preciso restringir seu universo. Para isso se usa uma oração subordinada adjetiva
restritiva. No segundo período, é possível afirmar com segurança que a pessoa que fala ou escreve tem apenas um irmão, o qual mora em Roma. A informação de que o irmão mora em Roma não é uma particularidade, ou seja, não é um elemento identificador, diferenciador, e sim um detalhe que se quer realçar.

Observe as diferenças de sentido produzidas nos períodos seguintes pelo uso de orações subordinadas adjetivas restritivas e explicativas:

O país que não trata a educação como prioridade não pode fazer parte do rol das nações civilizadas.
O país, que não trata a educação como prioridade, não pode fazer parte do rol das nações civilizadas.


No primeiro período, faz-se uma afirmação de caráter genérico, irrestrito, que se aplica a todo e qualquer país que não trata a educação como prioridade.
Restringindo a palavra país, a oração subordinada adjetiva restritiva limita, particulariza seu sentido, tornando-a aplicável a determinado grupo de países. No segundo período, faz-se referência a um pais cuja situação é bem conhecida por quem fala e por quem ouve. No caso, a informação de que ele não trata a
educação como prioridade é considerada um fato notório, a que se quer dar destaque.

Extraído da Gramática de Pasquale e Ulisses

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